Um Top 10 de Nick Cave and The Bad…

Por indesculpável vacilo, acabei não escrevendo sobre um dos discos mais legais de 2017: “Lovely Creatures”, coletânea abrangendo os primeiros 30 anos (1984 a 2014) de Nick Cave and the Bad Seeds.

O disco – compilado por Nick Cave e seu mais longevo parceiro de Bad Seeds, Mick Harvey, que ficou na banda de 1984 a 2009 – foi lançado em diversas configurações, de um CD duplo com 21 canções à edição “Super Deluxe”, que traz 45 músicas, um DVD com duas horas de shows e entrevistas e um livro sobre a banda.

Aqui vai, em ordem cronológica, minha lista das dez melhores músicas de Nick Cave and the Bad Seeds. A lista de hoje, claro. Amanhã muda…

From Her to Eternity (LP From Her to Eternity – 1983)

Soa como uma continuação do trabalho do Birthday Party, extraordinária banda que Cave e Harvey lideraram de 1978 a 1983: um blues pesado, lento e sujo, que deve tudo ao Cramps.

The Weeping Song (LP The Good Son – 1990)

Gravado em São Paulo durante o tempo em que Cave morou na cidade, “The Good Son” marca o início da fase de crooner baladeiro do cantor, e sua fixação em canções épicas de tom religioso.

The Ship Song (LP The Good Son – 1990)

Cave estava inspirado nesse disco: “The Ship Song” é uma de suas baladas mais arrebatadoras: “Veleje seus barcos em torno de mim / e queime suas pontes / nós fazemos história, baby / toda vez que você aparece”.

Red Right Hand (LP Let Love In – 1994)

Inspirada em “Paraíso Perdido”, de John Milton, é uma das canções mais populares de Cave, tocada em quase todos os seus shows com o Bad Seeds. Desde “Hell’s Bell’s” que um sino não soava tão bem…

Into My Arms (LP The Boatman’s Call – 1997)

“The Boatman’s Call” foi um disco espartano e marcado por baladas tristes, dominadas pelo piano de Cave. As letras falavam, basicamente, do fim de seu romance com PJ Harvey. Em “Into My Arms”, ele canta: “Eu não acredito num Deus intervencionista / mas sei que você acredita / mas se eu acreditasse, ajoelharia e pediria a Ele / que não interviesse em você /que não tocasse em um fio de seu cabelo / para deixá-la como é / e se ele sentisse que precisava direcionar você / que a direcionasse para meus braços”.

He Wants You (LP Nocturama – 2003)

Quando se fala dos grandes discos de Nick Cave, pouca gente lembra “Nocturama”, mas adoro o tom intimista e minimalista desse trabalho.

Nature Boy (LP Abattoir Blues / The Lyre or Orpheus – 2004)

Em “Abattoir Blues”, o Bad Seeds voltou ao rock pesado e intenso de seus primeiros anos, e fez um de seus melhores discos. “Nature Boy” não é só minha música preferida de Cave, mas é das melhores músicas que qualquer um já gravou em qualquer época, com uma letra de erotismo explícito e versos absolutamente genais. Uma obra-prima.

We Call Upon the Author (LP Dig, Lazarus, Dig!!! – 2008)

Só eu acho que os Bad Seeds estão cada vez melhores e que seus últimos quatro álbuns são seus mais inspirados? “Dig, Lazarus, Dig!!!” foi o último disco com Mick Harvey, e é perfeito do início ao fim.

Jubilee Street (LP Push the the Sky Away – 2013)

Batalha dura para a medalha de ouro na competição “Melhor música de Nick Cave”, entre “Nature Boy” e “Jubilee Street”. Esse trecho do documentário “20000 Days on Earth” que mistura uma interpretação apoteótica da banda com imagensantigas de Nick Cave and the Bad Seeds é uma aula de cinema.

Push the Sky Away (LP Push the Sky Away – 2013)

Pena que “Skeleton Tree”, mais recente disco de Cave, não entrou na coletânea, ou “Girl in Amber” entraria facilmente na lista. Então ficamos com “Push the Sky Away”, com sua atmosfera lúgubre e letra que sempre me remete a “Ouro de Tolo”, de Raul Seixas: “Se você sente que conseguiu tudo que havia para conseguir / que tem tudo e não precisa de mais nada / você precisa continuar empurrando / empurrando o céu para longe”

Um ótimo fim de semana a todos.

 

Publicado em 8 de dezembro de 2017 no Blog do Barcinski no Portal Uol. Leia online aqui.